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Vereador Iran participa de Audiência Pública sobre o Atlas da Violência 2017

Escrito por George W. Silva on .

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Audiência contou com a participação de vários segmentos do Poder Público e da sociedade civilAudiência contou com a participação de vários segmentos do Poder Público e da sociedade civilO Vereador e Professor Iran Barbosa (PT) participou, na tarde da quinta-feira, 03, na Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), da Audiência Pública “Atlas de Violência 2017: Genocídio do Povo Brasileiro”, com Daniel Ricardo Cerqueira, economista e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), e Samira Bueno, socióloga e diretora executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Os dois palestrantes foram responsáveis pela elaboração do Atlas. A realização da audiência foi da Frente Parlamentar dos Direitos da Criança e do Adolescente da Alese, coordenada pela Deputada Estadual Ana Lúcia (PT). O evento contou com a participação de parlamentares estaduais e de Aracaju, representes da Secretaria de Segurança Pública e de várias segmentos da sociedade civil organizada e de movimentos de Direitos Humanos.

Entre os vários indicadores da violência nos estados e nos municípios brasileiros apresentados pela dupla de pesquisadores, chamou a atenção o fato de o estado de Sergipe aparecer como o mais violento do País. O estudo aponta que mais de 10% dos homicídios do mundo acontecem no Brasil e que, em Sergipe, a taxa de homicídio por 100 habitantes cresceu mais de 77,7% entre 2005 e 2015, ocupando o maior percentual de crescimento entre todas as unidades federativas do país. O índice mais que dobrou entre o início e fim da década analisada.

“Infelizmente, são números que nos deixam bastante preocupados. E debate desse nível nos faz refletir sobre essa realidade difícil que a nossa sociedade enfrenta, de forma que parabenizo a Frente e a deputada Ana Lúcia pela realização dessa audiência pública e os palestrantes pelos dados elucidativos que nos trazem”, afirmou Iran Barbosa.

O parlamentar lembrou que antes da década analisada pelos pesquisadores do Ipea, Sergipe apresentava uma realidade de certa tranquilidade em relação aos estados vizinhos e demais estados no quesito violência. “Infelizmente, assistimos a esse crescimento da violência nos últimos anos. Tivemos uma mudança muito brusca nos índices justamente nessa última década, chegando a essa realidade lamentável de figurar como o estado mais violento do país. Mas esses dados nos permitem analisar, no médio prazo, o que foi que aconteceu para que esse quadro evoluísse dessa forma e cobrar do Estado políticas públicas que venham a, efetivamente, mudar essa realidade”, avaliou Iran Barbosa.

Grande Aracaju

Para Iran, ações apenas da Segurança Pública, sozinhas, não mudarão quadro de violênciaPara Iran, ações apenas da Segurança Pública, sozinhas, não mudarão quadro de violênciaUm outro dado que chamou a atenção na pesquisa foi quanto à violência nos municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes. Nesse recorte, entre os municípios sergipanos, Nossa Senhora do Socorro aparece como um dos mais violento. O economista Daniel Cerqueira ressaltou que a pesquisa foi centrada nas cidades com população superior a 100 mil habitantes. “Mas se for levar em conta cidades menores, temos outras cidades sergipanas com taxas altíssimas de homicídios”, explicou.

Sobre esse apontamento, o Vereador Iran Barbosa destacou que essa realidade deve ser pensada levando-se em consideração a Grande Aracaju. “Socorro é uma espécie de cidade-dormitório formada, em grande parte, por pessoas que trabalham na Capital e residem por lá. Neste sentido, o fato de os números apontarem um alto índice de violência naquele município não retira de Aracaju o peso e a responsabilidade sobre esse índice, pela relação intrínseca que há entre essas duas cidades”, disse Iran.

Para o parlamentar, o debate sobre o Atlas da Violência de 2017 e as análises feitas pelos dois pesquisadores reforçam a ideia de que ações formuladas apenas pela área da Segurança Pública, sozinhas, não mudarão o quadro de violência sistêmica, mas sim ações articuladas entre os vários órgãos de Estado e em diálogo permanente com a sociedade, somadas a políticas públicas sérias que propiciem igualdade de oportunidades para todos e superação da pobreza e da desigualdade econômica e social.

“Neste sentido, quero rechaçar a tese de que cabe à sociedade a responsabilidade de enfrentar e combater a violência extrema estudada na pesquisa, eximindo as responsabilidades do Estado. Em sua formação, a sociedade destacou o Estado para cumprir o papel de combater o crime e a violência. Não se pode querer, agora, transferir essa responsabilidade de novo para a sociedade”, ressaltou Iran Barbosa.