Iran defende a UFS como instrumento de acesso democrático à Educação Superior

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A Universidade Federal de Sergipe (UFS) é um dos símbolos do processo de desenvolvimento da rede pública superior de ensino iniciado em 2005, em âmbito federal. Seguiu ampliando, oportunizando o acesso à educação para as camadas populares, diminuindo as desigualdades. Contrapondo o caminho do avanço, nos dias atuais, enfrenta um processo de desmonte como consequência das medidas tomadas pelo governo federal.

Diante desse cenário, é fundamental que toda a sociedade esteja unida em defesa da educação pública. E foi com esse objetivo, reforçando a necessidade da união e do apoio de todos os sergipanos e dos parlamentares, que o reitor da UFS, Angelo Roberto Antoniolli, esteve, na manhã desta quinta-feira, 16, no plenário da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), para apresentar dados relativos à Universidade, destacando o crescimento da instituição após o Reuni; o impacto social e econômico positivo que a universidade trouxe para o estado de Sergipe; e os dados orçamentários, inclusive quais as consequências do corte de 30% dos recursos imposto pelo Ministério da Educação (MEC).

Em uma fala marcada pela emoção de expor uma história de superação, o reitor Angelo fez a defesa desse espaço de ensino que tem como concepção uma formação ética, humana e social. 

“Há 25 anos que dedico minha vida ao ensino público e o que me motiva é o ideal de ajudar a construir permanentemente uma universidade inclusiva e instrumento social, econômico e humano da nossa sociedade”, afirmou.

Dados

A expansão da Universidade por meio da criação de mais quatro campi, como também o aumento do número de estudantes foram algumas das informações apresentadas pelo reitor, para ratificar o avanço da UFS.

Segundo Angelo Antoniolli, a Universidade progrediu de 3 mil alunos, em 2006, para cerca de 9 mil, em 2010, e em média 30 mil, atualmente; ampliou o número de campi pelos municípios sergipanos, estando presente em São Cristóvão, onde está localizada a sede, Laranjeiras, Itabaiana, Lagarto e Nossa Senhora da Glória; cresceu o número de docentes de 300 para 1.500, sendo mais de 1.100 doutores.

O deputado Iran Barbosa (PT) acompanhou toda a apresentação sobre a realidade da UFS, lembrando que já havia ressaltado a necessidade da visita do reitor para que pudesse expor os dados sobre a instituição após ser atacada com a disseminação de informações falsas pelo ministro da Casa Civil da Presidência da República, Onyx Lorenzoni.

Ao falar sobre o momento, Iran Barbosa expressou-se na condição de aluno formado na instituição pública, professor e militante da Educação.

“Eu sou oriundo de escola pública e da universidade pública; vivenciei as dificuldades de ser filho de trabalhadores e não ter as facilidades para a busca da melhoria das condições de vida e posso afirmar que a UFS é o instrumento para o acesso democrático à Educação Superior”, asseverou.

“Os programas de inclusão social, como bem mostrou o reitor, a exemplo das cotas, foram ações afirmativas implementadas pelo governo federal que propulsionaram a chance para filhos e filhas de famílias pobres crescerem e se estabelecerem como cidadãos e profissionais de sucesso. Atualmente, boa parte dos estudantes da UFS é oriunda de escolas públicas e representa dignamente a instituição, que é a 6ª do Nordeste e a 38ª do Brasil entre as melhores”, evidenciou Iran.

Desmonte da UFS

O momento foi utilizado também para dialogar sobre o anúncio dos cortes nos recursos de custeio das universidades, na ordem de 30%. O reitor da UFS externou a sua angústia e explicou quais os efeitos negativos da medida. 

“Nós teremos dificuldades para manter a UFS aberta já que a medida afetará diretamente o seu funcionamento”, disse, detalhando o uso dos recursos.

Sobre a medida, Iran avaliou que se trata de um conjunto de atos do atual governo federal que desmonta a Educação Pública.

“Desde o início desse governo que está em curso o desmonte da Educação. Não querem uma sociedade crítica porque pessoas pensantes não interessam a esse governo e as Universidades estão sendo alvo porque são espaços de exercício de democracia e de formação”, criticou, relembrando que o ministro Onyx Lorenzoni utilizou dados falsos sobre a Universidade para justificar o corte de verbas.

“Não imaginaram que essas medidas iriam provocar inúmeras reações contrárias e subestimaram a resistência do povo, que está unido. A Greve Nacional da Educação foi o recado de que os brasileiros não aceitam que a Educação não seja tratada como uma área essencial para o desenvolvimento do país. Se insistirem, resistiremos”, salientou o deputado.

 Por fim, Iran Barbosa parabenizou a exposição do reitor Angelo Antoniolli, reafirmando o seu compromisso na luta em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade para todos.