Medalha Dom Távora de Direitos Humanos é entregue na Alese

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O deputado estadual Iran Barbosa presidiu a solenidade.

Sessão Especial marca a entrega da Medalha de Direitos Humanos Dom José Vicente Távora a lutadores na promoção e defesa dos direitos humanos em Sergipe, na tarde desta segunda-feira, 9, sendo uma iniciativa da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Sergipe. A solenidade é uma homenagem realizada, anualmente, em alusão à passagem do Dia Internacional dos Direitos Humanos.

O deputado estadual Iran Barbosa, do PT, presidiu a solenidade. O parlamentar pontuou que a Medalha foi uma iniciativa da então deputada Ana Lúcia e que intenta expressar o reconhecimento da sociedade sergipana aos agraciados, honrando o nome e a memória de Dom José Vicente Távora, figura destacada na luta pelos direitos humanos na história do país e do estado sergipano.

“Nosso encontro oportuniza enfatizar que os direitos humanos são consagrados por nossa Constituição Federal e correspondem aos direitos civis, políticos e sociais de todas as crianças, mulheres e homens de nosso país. A violação desse conjunto de direitos representa uma severa afronta a toda humanidade”, disse.

Na véspera da data na qual se comemora o Dia Internacional dos Direitos Humanos, 10 de dezembro, Iran Barbosa evidenciou que “como resumia Nélson Mandela: ‘negar às pessoas seus direitos humanos é afrontar a sua própria humanidade!’ ”.

Homenageados

Foram homenageados Adélia Moreira Pessoa, Edivaneide Souza Paes Lima, Karina Batista Sposato, Maria Lilian Mendes de Carvalho, Renata Santiago Vargas Roriz Silva Cruz, Rosa Geane Nascimento Santos, Almir Almeida Paixão, Carlos Alberto Santos, Davi Lima Valente Calazans, Deijaniro Jonas Filho, Ilzver de Matos Oliveira, padre José Soares de Jesus e as imortais Dona Bebé e Tia Ruth.

“Dom Távora, “padre dos pobres”, “bispo dos operários”, simboliza, pela confluência de ideais e de práticas, o engajamento e o compromisso das nossas homenageadas e nossos homenageados com a causa da defesa e promoção dos direitos fundamentais da pessoa humana entre nós”, salientou.

Sobre o patrono Dom Távora

O patrono desse tributo, Dom José Vicente Távora, pernambucano de Orobó, iniciou a construção de seu legado ainda na juventude, como seminarista na Diocese de Nazaré da Mata, onde aderiu ao Movimento da Ação Católica que então se formava no Brasil.

Padre recém-ordenado, ainda no início dos anos de 1930, foi responsável pela organização de diversas Escolas Operárias em Pernambuco. No início dos anos 1950, Dom Távora foi transferido para o Rio de Janeiro, onde se dedicou ao trabalho de estruturação dos Círculos Operários e das ações de cunho social da Igreja, especialmente junto às comunidades das numerosas favelas da então capital federal.

Em 1958, Dom Távora Chegou em Sergipe e impulsionou a organização dos grupos da Juventude Operária, da Ação Católica Especializada, do SAME (Serviço de Assistência à Mendicância). Além disso, fundou a Rádio Cultura, ao tempo em que participou ativamente da criação do Movimento de Educação de Base, o MEB, desenvolvendo ‘escolas radiofônicas’, marco na luta pela educação das camadas populares e camponesas.

Nomeado primeiro arcebispo de Aracaju em 1960, Dom Távora foi um verdadeiro lutador da classe trabalhadora, da democracia, e, principalmente, dos direitos humanos. Chamado de ‘Padre dos Operários’ é também conhecido como ‘patrono do sindicalismo rural sergipano’ em razão da grande influência na constituição dos primeiros Sindicatos de Trabalhadores Rurais.

“Em pouco mais de uma década, o patrono da Medalha deixou marcas que não podem ser apagadas na organização social de nossa terra, marcas que se mantêm vivas e ganham continuidade no trabalho desenvolvido pelas mulheres e homens que são, nesta Sessão Especial, agraciados”, disse Iran Barbosa.