Conferência abre as comemorações do Centenário de Paulo Freire na Alese

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Jornalista e palestrante Cristian Góes com o deputado Iran Barbosa [Foto: Jadilson Simões/Alese]

A Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) abriu, oficialmente, na manhã desta quinta-feira (2), as comemorações do Centenário de Paulo Freire com a realização da Conferência ‘A Atualidade do Pensamento de Paulo Freire no século XXI’, proferida pelo jornalista, professor e estudioso do educador, José Cristian Góes, no plenário da Casa.

A iniciativa da comemoração dos 100 anos de Paulo Freire se origina da Lei Estadual de nº 8.779/2020, de autoria do deputado Iran Barbosa (PT), que institui 2021 como o ‘Ano Cultural Educador Paulo Freire’, que contará com uma extensa programação.

“Quero agradecer a todos que estão participando desta Sessão Comemorativa, a todos que têm ajudado a construir as atividades comemorativas deste Centenário, assim como a todos os parlamentares que votaram pela aprovação da Lei Estadual que instituiu 2021 como o ‘Ano Cultural Educador Paulo Freire’ e definiu formas de estimular e promover o pensamento paulofreireano. Quero manifestar também um agradecimento especialíssimo ao jornalista Cristian Góes, esse entusiasta do pensamento de Paulo Freire, mas muito mais que isso, um estudioso desse pensamento e de suas práticas, quer seja na áreada Comunicação, na Universidade, ou nas práticas cotidianas que nos desafiam; e não por menos escolhemos o seu nome para esta abertura”, destacou Iran Barbosa.

“Em uma entrevista, fui instado a responder como o pensamento de uma pessoa que nasceu em 1921 torna-se ainda atual. Disse que é exatamente neste momento que o pensamento de Paulo Freire é mais do que atual, sua contribuição é necessária para enfrentarmos as tentativas em andamento de implantar, em nosso país, uma educação excludente, que deixa de fora as pessoas com deficiência e propõe que as universidades não devam ser para todos. Neste cenário, darmos evidência ao pensamento paulofreireano é uma necessidade. Para alguns pode parecer de pouco significado o destaque que a Alese está dando a este Centenário, mas aqueles que conhecem a contribuição de Paulo Freire sabem a importância de estarmos reafirmando o seu pensamento”, enfatizou o parlamentar, que dedicou a Conferência de Abertura a outra educadora e paulefreireana, a ex-deputada estadual Professora Ana Lúcia (PT).

A Conferência

Em sua exposição, Cristian Góes fez uma resgate da história de vida do Patrono da Educação Brasileira e Sergipana. Paulo Freire nasceu na cidade do Recife, em Pernambuco, em 1921, e no dia 19 de setembro próximo completaria 100 anos de idade.

Para o jornalista, o ano de 2021 transcende a ideia de ser apenas um ano simbólico. Para ele, a história, o pensamento, as obras, as bases e os fundamentos do pensamento de Paulo Freire revelam uma atualidade, a qual chamou de ‘desconcertante’.

“Porque há muito tempo, ainda nos anos 40, 50, 60, Paulo Freire tratou de questões rigorosamente atuais. Exatamente nesse momento que a gente está vivendo, tão distópico, tão pandêmico, Paulo Freire já tratava dessas questões de modo muito delicado, de forma muito crítica, de forma muito contundente, mas também de forma muito amorosa, uma palavra que ele usa muito em suas obras e eu acho que é importante, importante demais”, definiu o palestrante.

Conferência de Abertura aconteceu no plenário da Assembleia Legislativa [Foto: Jadilson Simões]
O conferencista lembrou que o Centenário de Paulo Freire está sendo comemorado em todo o mundo por reconhecimento ao mérito de sua obra e das suas contribuições para a educação e a alfabetização, dentro e fora do Brasil.

“O nome de Paulo Freire está sendo citado no mundo todo neste ano de 2021. Em Sergipe, através da Assembleia Legislativa, do deputado Iran Barbosa e de todos os deputados que aprovaram esta ação e se fazem presentes nestas comemorações, o momento é de lembrar um educador, um pensador, um filósofo brasileiro, nordestino, pernambucano, motivo de orgulho para todos nós, e que nos traz uma mensagem, como eu falei, profundamente desconcertante, que faz a gente refletir sobre o que a gente foi, sobre o que a gente é, e principalmente sobre aquilo que a gente pode ser”, externou Góes.

Ainda de acordo com o palestrante, Paulo Freire segue atual, necessário e urgente, assim como o seu convite à humanização, inversamente ao mundo que temos hoje, caracterizado pelo rompimento dos vínculos humanos.

“Paulo Freire não é apenas atual; ele é necessário e ele é urgente exatamente para enfrentar uma coisa que ele se debateu muito, que era sobre o processo de desumanização; ou seja, da coisificação do humano. Nós, cada vez mais, estamos nos tornando números e, às vezes, números sem valor, num projeto de desinformação gigantesco que nos desumaniza. E aí vem Paulo Freire exatamente com uma abordagem tão simples e, ao mesmo tempo, tão complexa nos convidando à humanização. Paulo Freire dizia que a humanização é a vocação de todos nós, humanos. A desumanização é a negação dessa vocação. Então, repito, ele não é só atual, é também urgente e necessário”, reforçou o jornalista palestrante.

(Com informações adicionais da Agência Alese)