Reunião debate pautas das pessoas surdas em Sergipe

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Imagem: Ascom IB

O deputado estadual Iran Barbosa esteve reunido, na tarde da quinta-feira, 02, com lideranças da comunidade surda em Sergipe, representantes do Instituto Pedagógico de Apoio à Educação do Surdo de Sergipe (IPAESE), do Movimento Estadual pela Inclusão Sergipe (MEPIS). O propósito da reunião foi discutir as dificuldades encontradas na assistência à saúde para as pessoas com surdez no Estado de Sergipe.

Para o deputado, o Parlamento tem um papel fundamental no debate dessas demandas com a comunidade surda. “Cumpre ao Poder Legislativo fazer um debate amplo sobre os direitos, as reivindicações e as necessidades das pessoas com deficiência. Ninguém melhor que a comunidade surda para expressar as suas próprias pautas e cabe ao Parlamento fazer ecoar toda essa temática, buscando contribuir com a solução dos problemas”, expressou.

Para a presidenta do IPAESE, Ana Oliveira, os surdos estão vivendo uma triste realidade, quando precisam utilizar os serviços de saúde em Sergipe, pois necessitam de intérpretes para facilitar essa intermediação com os profissionais da unidade.

“O surdo quando se dirige a uma unidade de saúde não encontra um intérprete ou alguém que possa fazer uma intermediação com os profissionais daquela repartição, um ato simples que facilitaria a comunicação do surdo com os trabalhadores desses locais, inclusive o médico. Esse é um direito que já é assegurado pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência”, afirmou.

Breno Nunes, pessoa surda, abordou a importância de uma Central de Intérpretes nas instituições públicas e privadas. “Ter uma central de intérpretes, ou de Libras, nas unidades de saúde, facilitaria a comunicação, a troca de informações entre os indivíduos envolvidos, ajudaria na fluidez de uma comunicação básica. Precisamos de um mecanismo que crie as condições para a melhoria da comunicação com os surdos nas instituições públicas”, pontuou.

De acordo com Pablo Roman, liderança da comunidade surda em Sergipe, os surdos precisam de mais acessibilidade na saúde, um exemplo disso são as publicidades oficiais. “Muitos surdos tiveram suas vidas afetadas por falta de acessibilidade, isso se reflete na dificuldade de comunicação com a pessoa surda. Um exemplo, são as publicidades oficiais que muitas vezes não levam em conta as pessoas com deficiência. É urgente a criação de um núcleo voltado para as pessoas com deficiência dentro do governo de Sergipe”, explicou.

A professora da Universidade Federal de Sergipe, Alzenira Aquino de Oliveira, chamou a atenção para a falta de uma comunicação para a vacinação voltada à comunidade dos surdos. “Falta uma comunicação, tenho percebido e avaliado, voltada aos surdos no que diz respeito à vacinação contra a Covid-19, como também há falta de intérpretes nos locais de aplicação dos imunizantes. Mesmo que ficasse em apenas um local, mas divulgaria que naquele ponto teria atendimento especializado para surdos, com a presença de intérpretes”, colocou.

O professor e deputado Iran Barbosa colocou a importância do diálogo com os gestores dos centros de formação, das secretarias de educação e saúde do Estado e dos Municípios na perspectiva de, em médio prazo, criar uma cultura de inclusão em nossa sociedade, com acesso aos mecanismos de acessibilidade à pessoa surda e, ao final, o petista colocou o seu mandato a disposição.

“Vejo que precisamos dialogar com os gestores públicos de educação, da saúde e dos centros de formação, como as universidades, para que esse debate seja levado e colocado na formação dos diversos profissionais. Mas, de forma mais prática e urgente, vejo como necessidade a indicação para os órgãos de formação e da saúde, para que garantam a formação dos profissionais, e assim possam atender a essas questões. Coloco meu mandato à inteira disposição dessa bandeira de luta que vocês apresentam”, disse.