Iran enfrenta discursos que atacam a esquerda e escondem os vínculos da direita com os esquemas do INSS e do Banco Master

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Foto: Luanna Pinheiro

O vereador Iran Barbosa, do PSOL, usou a tribuna da Câmara Municipal de Aracaju, na manhã desta quarta-feira (13), para rebater os discursos proferidos por colegas de parlamento que tentam ‘enquadrar’ a esquerda como sem moral para falar contra a corrupção. Para o parlamentar, o que estão tentando criar, na verdade, são factoides para servir como cortina de fumaça e impedir que a população veja o que realmente está acontecendo no país.

“Pois eu sou de esquerda e tenho muita moral para falar contra a corrupção, porque o meu comportamento foi sempre de muita seriedade”, disse.

Em sua fala, o parlamentar colocou que a direita vem usando de muitas ‘fake news’ sobre Lula e o seu governo exatamente para desviar o foco dos grandes casos de corrupção que atingem diretamente políticos do centrão, da direita e da extrema-direita e extrair dividendos eleitorais.

Para rebater as críticas econômicas, Iran Barbosa apresentou dados do Banco Central, em relação à inflação acumulada nos governos federais de 1995 a 2025 (de Fernando Henrique Cardoso ao atual governo de Lula), e dados relativos ao IPCA/IBGE sobre o custo dos alimentos nos governos de Bolsonaro (2019-2022) e Lula (2023 até agora).

Os números apresentados pelo parlamentar mostram a inflação sobre controle nos governos Lula e Dilma, e o custo dos alimentos muito abaixo, no atual governo Lula, em relação ao governo Bolsonaro, onde a inflação dos alimentos disparou.

“Não é correto que alguns colegas queiram fazer esse debate em cima de argumentos manipulados, distorcidos e enviesados. Eu sou professor, e faço esse tipo de debate em cima de dados técnicos e de fatos reais. E ainda há quem queira defender um governo em que as pessoas faziam fila para comprar osso”, disse, referindo-se ao período de Bolsonaro, em que os alimentos ficaram mais caros em quase 50% ao final do seu governo; o de Lula está em 12% no 2º ano de governo.

Cortina de Fumaça

Para Iran, todos esses malabarismos que vêm sendo feito por setores da direita e da extrema-direita para tentar minar o governo Lula, na verdade, vem servindo como ‘cortina de fumaça’ para tentar esconder da população o escândalo de corrupção envolvendo o Banco Master e políticos de alto escalão, ligados a esse campo da política.

Iran apontou a lista de contatos do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apreendida pela Polícia Federal em março de 2026, revelando a sua ampla rede de influência. Entre os políticos que aparecem na lista do Vorcaro, todos são de partidos da direita e extrema-direita, entre os quais Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara; Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado; Ciro Nogueira, senador (PP-PI).

“Essa é a listinha dos políticos que conversavam com Daniel Vorcaro, que tratavam de negócios com ele, e é isso que não querem que a população saiba. Vejam de que partidos eles são. E a esquerda não deve falar de corrupção? Deve, e eu falo. Mas se tem alguém na esquerda que se desviou dos princípios éticos, evidentemente que tem que responder por isso”, enfatizou Iran.

O psolista também deu destaque às notícias veiculadas na imprensa, apontando que o PL tem 35 deputados réus em ação penal e três condenados pelo STF por desvios de emendas parlamentares, inclusive um de Sergipe – Bosco Costa.

Iran também destacou notícia sobre o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP-PI, apontando que ele recebeu de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pagamentos mensais recorrentes de 500 mil reais, além de outras vantagens, em troca de favores ao banqueiro, segundo a Polícia Federal.

“Disso ninguém quer falar aqui nesta Casa. O que querem esconder da população é exatamente isso, que o nome dito como o ideal para ser o vice do pré-candidato da direita à presidência da República é esse (Ciro Nogueira), um sujeito que está chafurdando num mar de lama”, apontou Iran Barbosa.

O parlamentar destacou, ainda, uma outra notícia do portal Metrópoles, a partir de desdobramentos de investigações da Polícia Federal (PF) e Controladoria-Geral da União (CGU) em 2025, sobre o esquema bilionário de descontos indevidos no INSS – conhecido como “farra dos descontos” – que teve origem em 2019 e poderia ter sido interrompido em 2020, durante a gestão de Bolsonaro, se seu governo tivesse agido para barrar os descontos irregulares sobre aposentados e pensionistas, a partir de denúncia feita por um servidor do INSS.

“Todo mundo sabe quem governava em 2020. E isso acaba de vez com as ilações que andam tentando fazer para associar esse escândalo do INSS ao governo atual. O governo atual mandou investigar e não criou barreiras às investigações como o governo anterior fez, porque é assim que a direita funciona, não tem investigação e aí fica realmente difícil punir corrupto”, ironizou o parlamentar.