
O vereador Iran Barbosa, do Psol, cobrou, nesta quarta-feira (29), uma investigação séria e consequente para apurar uma suposta sabotagem em equipamentos do sistema de abastecimento de água do estado, que vem sendo denunciada pela concessionária privada Iguá Sergipe e pelo Governo do Estado para justificar a crise hídrica que vem afetando duramente a população em várias cidades e muitos bairros da capital sergipana.
“A investigação sobre essa denúncia precisa acontecer. Eu defendo e quero propor que haja um acompanhamento externo dos mais diversos órgãos fiscalizadores e, também, a participação da sociedade, porque a população vai querer saber o resultado. Até porque não é de agora que o sistema sofre com desvios clandestinos e outras investidas contra o adequado funcionamento da distribuição de água em nosso Estado. Mas, é preocupante e lamentável o que estamos assistindo nos últimos dias, com essa situação crítica de desabastecimento de água, criando-se um verdadeiro caos para a população”, afirmou Iran.
Como contraponto, o parlamentar destacou a Nota Pública do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgoto do Estado de Sergipe (SINDISAN), rebatendo a alegação da Iguá e do Governo de sabotagem no sistema de abastecimento. O sindicato também defende investigação para apurar a denúncia.
Segundo Iran, corroborando com a nota do SINDISAN, estão tentando criar uma ‘cortina de fumaça’ para justificar a incapacidade técnica da Iguá em resolver os problemas de abastecimento de água no estado de Sergipe.
“Essa é mais que uma Nota Pública. É uma Nota Técnica produzida por quem historicamente representa aqueles que colocaram para funcionar essa rede de abastecimento de água e conhece com profundidade esse sistema”, ressalta Iran.
O parlamentar destacou um dos pontos do documento produzido pelo SINDISAN, que aponta que “A tentativa de atribuir a falta de água na Zona de Expansão, Mosqueiro, Santa Maria, Robalo e adjacências à quebra de um único registro beira o absurdo técnico. O sistema que abastece essa região é composto por adutoras provenientes de três frentes: Poxim, São Francisco e Cabrita.”
Ainda segundo o sindicato, “A rede supostamente ‘vandalizada’ vem da Estação da Cabrita, que representa menos de 20% do volume destinado àquela área. Os outros 80% do abastecimento dependem do sistema de bombeamento conhecido como E3. É de conhecimento técnico que a Iguá enfrentou problemas críticos nas bombas do sistema E3 e não conseguiu realizar os reparos em tempo hábil.”
“Portanto, o que faltou foi habilidade técnica à Iguá para fazer os reparos necessários nessas bombas. Mas os experientes técnicos da DESO sempre lidaram com problemas dessa natureza e conseguiam fazer as manobras necessárias, remanejando o sistema de forma a não criar o caos que nós estamos vivendo hoje. Faltou competência à Iguá e isso precisa ser cobrado”, pontuou Iran Barbosa.
Responsabilização
O psolista afirmou que estará do lado da população e que exigirá não só a investigação e o devido esclarecimento em relação a essa alegada sabotagem no sistema de abastecimento de água do estado, mas, também, a responsabilização pelo ocorrido.
“Não basta dizer que houve sabotagem, criando uma cortina de fumaça para esconder os verdadeiros problemas existentes e depois deixar por isso mesmo. É preciso respostas. Depois da apuração, é preciso responsabilização e, no caso desse desabastecimento que está ocorrendo, quero reivindicar, com base no direito coletivo, que a Iguá seja também responsabilizada pelos danos à população, produzidos por esse desabastecimento”, cobrou o parlamentar.
Iran cobrou, ainda, a apresentação de um plano transparente e eficaz de regularização do abastecimento, com previsão de multas à concessionária privada Iguá Sergipe em caso de descumprimento dos prazos fixados; bem como um plano de compensação aos usuários do sistema de abastecimento pelos prejuízos sofridos durante a crise hídrica.
“Não podemos é continuar com essa imprevisibilidade e insegurança diante de uma direito vital para as pessoas, que é ter acesso à água. E precisa sim ter um plano de compensação ao povo de Sergipe pelos prejuízos sofridos durante o desabastecimento de água. E também é preciso cobrar do Governo do Estado a sua parcela de responsabilidade sobre essa situação que estamos vivendo, por sua condição de poder concedente e de fiscalizador da oferta dos serviços que estão sendo pessimamente prestados à população pela Iguá”, defendeu Iran, sugerindo, ainda, a criação de um conselho estadual de acompanhamento e controle social sobre o abastecimento de água no estado, com caráter paritário e assento para representantes dos usuários.









